Wednesday, 4 Aug 2021

#Impactar – Música para todos

A arte é muito importante para nós. Nos últimos meses, com o sucesso das lives e a grande quantidade de filmes e série sendo assistidos durante o período de isolamento social, temos percebido isso cada vez mais. Mas será que ela é acessível para todos?

Se a arte é importante para a gente, também é de grande importância para a comunidade surda. Já parou para pensar que as pessoas com deficiência auditiva também têm interesse em música e arte? O Instituto Dom Quixote sim.

Em novembro de 2019, a banda belo-horizontina Velejante entrou em contato com o IDQ, produtora de impacto social, e juntos construíram o primeiro passo do que se tornaria uma das bandeiras do instituto: a inclusão da comunidade surda no mundo musical.

Interpretação de libras. # música para todos
Foto: reprodução/ Instituto Dom Quixote

A equipe organizadora foi responsável por toda a interpretação para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) no clipe da música “Checklist”, lançada no último mês de maio. Logo em seguida, foi chamada pela Daparte, mais uma banda de Belo Horizonte, que teve então o clipe de sua canção “Calma” também acessível em Libras.

A preocupação com uma arte inclusiva não vem somente deste ano. Em setembro de 2019, o Instituto Dom Quixote foi contatado pela Badaladinha, produtora de eventos que estava organizando o Festival Conectas em Divinópolis, cidade na região Oeste de Minas Gerais. O festival teve participação de grandes nomes da música brasileira, como Armandinho, Dennis DJ, Dilsinho, e também o grupo mineiro Lagum.

artista grafitando durante festival. # música para todos
Foto: reprodução/ Instituto Dom Quixote

O Dom Quixote ficou responsável por toda a produção de impacto social do evento: convidaram artistas da comunidade para grafitarem durante o festival, providenciaram o plantio de mudas para promover o equilíbrio de CO2 emitido durante o evento, e realizaram uma arrecadação de alimentos não perecíveis por meio da meia-entrada social. O resultado foram seis toneladas de alimento para doações.

Para que a comunidade surda também pudesse participar do evento, que envolveu um público de 5.000 pessoas, intérpretes de Libras foram ao palco durante as doze horas de festival. Pessoas com deficiência também foram contratadas para a organização do evento, dando mais oportunidade de renda e autonomia para essas pessoas.

E o trabalho não vai parar por aí. O instituto está atualmente modulando uma forma de fazer este projeto por completo. Os dois trabalhos iniciais com a Velejante e a Daparte foram uma maneira de conhecer melhor o mercado. A partir do final do ano, eles começarão a trabalhar de forma mais ativa, firmando parcerias com mais bandas e vídeoclipes. Com quatro intérpretes na equipe, o foco inicial continuará sendo a música independente de BH, impulsionando também a cultura independente em Minas.

Além de ações concretas, o Instituto Dom Quixote vem trazendo uma discussão muito importante: a arte é transformadora, mas será que ela está chegando para todo mundo? João Aquino, presidente do IDQ, tem uma frase para isso: “se um espaço não é acessível para todos, o espaço é deficiente”. Esperamos, assim, que a música se torne cada vez mais inclusiva.

O que é o Instituto Dom Quixote?

Conversamos com João Vitor Aquino, natural de Divinópolis e atual morador de Belo Horizonte. Ele é o fundador e atual presidente do Instituto Dom Quixote. João conta que a primeira ideia do instituto surgiu em dezembro de 2016, quando ainda morava em Divinópolis e estava próximo de se mudar para BH para poder cursar Direito na PUC Minas. Depois de uma vida de trabalhos voluntários na escola, se pegou refletindo sobre a possibilidade de criação de uma instituição criativa de impacto social, que fugisse do padrão ainda visto nas organizações de terceiro setor do país. Tinha na cabeça aquela famosa frase: “quero ajudar, mas não sei como”. Foi quando resolveu criar, junto à sua irmã, Ana Paula, uma instituição que pudesse auxiliar as pessoas a tirar suas ideias de transformação social do papel.

O Instituto Dom Quixote nasceu, então, em 16 de março de 2017, e se pauta até hoje na criatividade, inovação, e na geração de projetos de transformação. Em seu primeiro ano, já engajou uma série de voluntários, e desde o início se formatou juridicamente como uma empresa, e não uma organização não governamental (ONG) — o que lhe permite agir ao máximo dentro das possibilidades administrativas e ferramentas de gestão do segundo setor, apesar de ter um objeto do terceiro setor. João Aquino acredita que o terceiro setor é pouco profissionalizado no Brasil, e que o IDQ, em contrapartida, sempre se preocupou com a sua administração, comunicação, marketing e financeiro, mesmo quando ainda trabalhava com projetos menos complexos e apenas cinco voluntários.

No meio de 2017, fizeram o seu primeiro processo seletivo, o que permitiu o aumento da equipe. Inicialmente, os projetos eram apenas em Belo Horizonte, mas uma grande demanda de amigos e familiares de Divinópolis levou o instituto para as duas cidades. Atualmente, o plano do IDQ é se ampliar para toda Minas Gerais, e até mesmo para outros estados do Brasil.

Em 2018, um segundo processo seletivo ocorreu, trazendo voluntários internos de diversas áreas, desde o Direito até a Medicina, Relações Internacionais, Publicidade, Música, artistas, e assim por diante. Dessa forma, os projetos começaram a se tornar cada vez mais complexos, com uma série de análises de perspectivas diferentes que possibilitaram que o instituto crescesse de fato. 

O “De Coração”, por exemplo, é um projeto que transforma os espaços públicos com o envolvimento da comunidade. Algumas escolas já participaram dessa iniciativa, e professores e alunos foram engajados dentro do processo de reforma. Assim, descobre-se até mesmo talentos dentro desses agentes locais, que participaram de intervenções artísticas dentro de seus espaços de ensino.

voluntários internos do projeto "de coração". # música para todos
Foto: reprodução/ Instituto Dom Quixote

Para seu fundador, o melhor ano do instituto foi quando eles começaram a trabalhar com mais empresas: “o impacto social não precisa estar restrito ao voluntariado, esse ‘quero ajudar mas não sei como’ é também comum no mundo corporativo. Nós começamos a receber muitos contratos de empresas e parceiros com essa mesma demanda” disse João.

Foi aí que surgiu a parceria com a produtora Baladinha, que contamos acima. Desde então, o instituto tem se adaptado e passou a se chamar de produtora de impacto social: a primeira no Brasil, de acordo com João. “O trabalho é esse: produção, planejamento e execução de projetos de impactos sociais com empresas e voluntários que queiram ajudar, mas não sabem como”, conta.

Em relação aos projetos deste ano, João ressalta o fato de estarmos em isolamento social e que, por isso, desde 16 de março, todos os projetos presenciais foram suspensos, sendo o trabalho agora exclusivamente digital: “Virada Digital”, que presta consultoria para duas instituições de BH e de Divinópolis; “Deixe-me ver”, um podcast semanal com o objetivo de trazer diálogos de relevância social, disponível em libras no YouTube; “De Casa Para Casa”, em que as pessoas podem realizar doações para aqueles que tiveram sua situação de vulnerabilidade social intensificada com a pandemia; e por fim o projeto “Lupa”. Este último, com previsão de iniciar na próxima quinta-feira (30), vai trazer um espaço digital de aprendizado para alunos de escola pública até o mês de dezembro, para ajudá-los em sua preparação para o ENEM, reconhecendo o dano na educação causado pela pandemia.

O Instituto Dom Quixote vem desde 2017 trabalhando em prol de uma comunidade local melhor, e incluindo nesse processo, voluntários, empresas, agentes locais e artistas de Belo Horizonte e de Minas Gerais. 

Para saber mais sobre o Instituto Dom Quixote:

Site oficial: www.institutodomquixote.com.br

Email para contato: contato@institutodomquixote.org

Instagram @institutodomquixote

Twitter @escuteidcast

Facebook IDQ

IDCast – disponível no Google Podcasts, Spotify, Apple Podcasts e CastBox

#Impactar

Acreditamos na força da arte e da cultura para transformar nossa sociedade. Com nosso novo quadro #Impactar queremos compartilhar com vocês quinzenalmente ações e iniciativas que trabalham em prol dessas mudanças. Vamos juntos!

música para todos

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