Monday, 6 Dec 2021

Do papel para plataformas digitais: como funciona produção de música e os impactos da pandemia

Até chegar nos nossos fones de ouvido, a música passa por várias etapas de pré e pós produção, desenvolvidas por artistas, músicos e engenheiros de áudio. Para entender esses processos e quais foram as mudanças no mercado com a pandemia, conversamos com engenheiro de áudio e produtor musical Pedro Peixoto, sócio-fundador do Medisen Studios. 

Como nasce uma música

Tudo começa com caneta, papel e instrumentos musicais: letra, melodia e harmonia. A letra é a mensagem transmitida e a melodia é a momento que o artista começa a cantarolar a canção. Pedro explica que a harmonia “é o que fundamenta os acordes da parte harmônica”. 

Essas três partes são pontapé do processo de pré-produção. No estúdio, essas ideias são gravadas para, depois, serem desenvolvidas as estruturas da música, como introdução, versos e refrão. 

Quando tudo isso é gravado no computador, esse arquivo recebe o nome de guia. A partir dela, começa a ser definida a concepção musical, que é pensar no estilo de som e os instrumentos musicais. Um exemplo é pensar se a canção terá um vibe mais John Mayer ou uma guitarra mais rock and roll. 

Depois disso, a canção é gravada e passa pelo processo de edição, como alinhamento instrumentos e vozes. Quando essa etapa é finalizada, são feitos outros dois processos: a mixagem e masterização. 

Nesse primeiro, são usadas técnicas de equalização e manipulação de áudio para criar ambiente 3D. A mixagem também é responsável por transformar cada track, faixas de gravação de uma guitarra e bateria que estão separados, em um único arquivo. 

O produtor musical explica que a mixagem é momento de “criar um espaço para traduzir a gravação em uma emoção”.  No site do Pedro Peixoto, é possível ouvir a música “Telefone”, da banda Lagum, antes e depois da mixagem. Já na última etapa da produção, a masterização, o arquivo é adaptado para diferentes plataformas, do Spotify até Youtube e CD.

Como boa parte desses processos acontecem dentro do estúdio fechado, algumas mudanças foram adotadas para evitar a proliferação do coronavírus.  

Música e pandemia: como estúdios tem funcionado?

Se antes músicos e engenheiro de som faziam reuniões no estúdio para desenvolver os primeiros passos da pré-produção, hoje, essa etapa é feita em casa. Pedro Peixoto avalia que, antes, a pré-produção no estúdio era muito demorada. E agora, de forma virtual, foi possível otimizar esse tempo.  

“Antes nós conversávamos, tinha um violão e tudo era criado nesse clima estúdio e oba oba, mas que era demorado. Isso acaba tomando muito tempo também, e otimizamos isso passando pros artistas”, explica. 

O engenheiro de som também aponta que, a pré-produção em casa, amplia as possibilidades de criação dos artistas. “Você limita suas ideias só com caneta e papel. A pré-produção é um universo vastos de possibilidades, de pensar em criar beats e instrumentos virtuais”, pontua. 

De acordo com produtor, hoje, é possível transmitir gravações em tempo real. Isso faz com que artistas possam opinar sobre instrumentos em tempo real. Pedro aposta que essas mudanças podem reverberar no futuro da produção musical.

“Após a pandemia, vejo um mercado de produção mais globalizado, sem fronteiras de ‘não pode ir aí para gravar’ e transmitir em tempo real”, conclui.

Foto: Paula Mordente

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