Thursday, 21 Oct 2021

DEIXE ME VER: COLETIVO GRUPA E A PRESENÇA FEMININA NO FUTEBOL

Capa do Deixe-me ver, com imagem das mulheres participantes do coletivo Grupa

Em 2016, no desfile de lançamento da nova coleção Clube Atlético Mineiro, um detalhe inusitado: os modelos homens traziam o uniforme completo, já as modelos mulheres trajavam a camisa com lingerie e peças de banho.

O evento desencadeou uma reação por parte de torcedoras do time, que lançaram uma nota de repúdio ressaltando o machismo e a sexualização feminina por parte do clube. Mais tarde, a carta se tornou um pontapé para a criação do Grupa, coletivo feminista de torcedoras do Atlético Mineiro em prol do combate ao machismo no esporte.

Hoje, trazemos na Galaxy o novo episódio do quadro Deixe Me Ver, do IDCast. A convidada da vez é a Aurélia, representante da Grupa e uma das assinantes da carta de repúdio contra o machismo no desfile de lançamento do Galo, em 2016.

LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER

Durante quase quarenta anos, as mulheres foram proibidas por lei de praticar futebol no Brasil. A medida foi tomada pelo governo Getúlio Vargas em 1941, sob a alegação de que o esporte seria “incompatível com a condição feminina”. A medida perdurou até 1979, quando as brasileiras puderam finalmente voltar para os gramados.

Atualmente, o futebol feminino está cada vez mais presente no dia-a-dia dos torcedores, no entanto, ainda é consideravelmente menos popular do que seu contraponto masculino. Para Aurélia, a melhor maneira de empoderar as jogadoras é acompanhar as suas partidas, ir aos estádios, demonstrar apoio às equipes feminias nas redes sociais e cobrar igualdade dos clubes.

“Hoje você pode ligar a TV e está passando a Champions League, a Copa do Mundo feminina… A pessoa pode até se fechar, mas quando ela assiste, não tem como não se emocionar com o futebol feminino. É bonito demais! E é essa abertura que permite derrubar os preconceitos. Porque muita gente diz que é uma questão técnica, econômica, mas não, é uma questão de cultura e preconceito”, afirma a Aurélia.

FUTEBOL COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Para o Grupa, os clubes têm um papel fundamental nas mudanças sociais. “São instituições que têm responsabilidades [perante a sociedade]. O futebol é o esporte mais popular no Brasil, por isso nós cobramos posturas [dos times]. Todos que têm essa responsabilidade, precisam assumi-la para participar das mudanças”, conta.

Por isso, o coletivo atua na mobilização e conscientização das torcidas sobre machismo, racismo, homofobia, e outras formas de preconceito: “Não usamos xingamentos homofóbicos, não vaiamos o time, técnico ou jogador e jamais vamos tolerar quem xinga bandeirinha por ela ser mulher”, informa o site oficial do coletivo.

Por isso, as meninas são recorrentemente assediadas por sua postura de militância. “O estádio ainda é visto como aquele lugar onde tudo pode, pode xingar, ofender, humilhar, porque é um espaço livre, à parte da sociedade onde não vai haver repercussão. E nós do Grupa dizemos que não é bem assim”, diz Aurélia. Apesar das críticas, o coletivo segue firme e forte em prol da igualdade nos estádios, plateias e arquibancadas.

QUEM PODE PARTICIPAR?

Apesar do nome feminino, o Grupa está aberto para torcedores de todos os gêneros! A única exigência é manter, claro, o respeito e a tolerância durante a torcida.

“O fato de ter um nome feminino, apenas por diversão, não deveria sequer parecer que não aceita homens, já que o contrário seria visto como normal. No entanto, procuramos criar um ambiente de empatia e segurança entre mulheres. A presença masculina não é restrita”, afirma o coletivo em seu site grupa.com.br.

OUÇA O EPISÓDIO NA ÍNTEGRA

Para saber mais sobre o coletivo Grupa, ouça o novo episódio do #DeixeMeVer sobre o projeto! Ele está disponível no Spotify, Apple Podcasts, Castbox, Google podcasts e todos os outros agregadores! Ouça:

PARCERIA COM O INSTITUTO DOM QUIXOTE

O Instituto Dom Quixote é uma produtora de impacto social! Eles planejam e executam projetos sociais junto de pessoas e empresas que querem ajudar, mas não sabem como. O Deixe Me Ver é um novo quadro do IDCast, onde entrevistam jovens para expor seus projetos por meio de uma perspectiva social, com apresentação do voluntário e artista, Gabriel Galvão.

 Já tivemos uma outra parceria com o IDQ contando sobre o episódio anterior do #DeixeMeVer.  Clique aqui e veja a matéria completa!

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