Tuesday, 28 Sep 2021

DEIXE ME VER: BRUNO RAMOS E O MOVIMENTO FUNK

Das periferias brasileiras até os grandes festivais nacionais como Rock in Rio, o Funk chegou para não deixar ninguém parado. O som que nasceu das batidas de religiões de matriz africana, assim como o samba, já foi ameaçado por um projeto de lei 17/2017 que tentava  criminalizar o gênero. 

Apesar disso, o ritmo cresce no Brasil e no mundo. Desde 2016, o Funk cresceu no streaming mais de 3000% fora do país, de acordo com levantamento do Spotify. Além de gênero musical, esse ritmo representa um estilo de vida e também um movimento que reflete nossa sociedade. 

Hoje, na Revista Galaxy apresentamos o novo episódio do Deixe Me Ver, do IDCAST. O bate-papo dessa semana é com Bruno Ramos, articulador do Movimento Funk e que esteve à frente da mobilização que barrou o projeto que enquadrava o ritmo como crime de saúde pública contra crianças, adolescentes e a família. 

Funk: para além do estilo musical

Muito mais que uma batida, o gênero é também um termômetro político pautado no que está acontecendo na sociedade brasileira. O produtor cultural aponta que o Funk atua como um espelho que reflete o que está acontecendo na sociedade. Para entender de que forma isso ocorre, ele explica sobre o nascimento do subgênero ostentação, que surgiu em 2009 e ganhou projeção em 2012.

Com a ascensão de classes mais baixas e o aumento do poder de consumo, o subgênero que nasceu em São Paulo e ganha o todo território nacional. “Com valores pregados pelo capitalismo, como as canções ‘Sou patrão, não funcionário’ ou ‘Plaquê de 100’, começou um estilo musical que endeusa o mercado e a instituição financeira. O Funk Ostentação perde a força com as mudanças no cenário político. A partir disso, começa a nascer outro processo de música”, explica Bruno.

Com as transformações no contexto social, outros subgêneros surgem e ganham força. O Funk consciente, putaria são alguns desses movimentos que se alteram de acordo com o cenário brasileiro. 

Criminalização do Funk

Em 2017, o web designer Marcelo Alonso propôs no portal e-cidadania um projeto de lei para criminalizar o Funk. Na época, o projeto conseguiu 21.985 assinaturas. O senador Romário Faria (Podemos-RJ) foi o relator do projeto.  

Nesse período, Bruno era Conselheiro do Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE) e atuou para que o projeto não fosse adiante. Na época, ele conta que conversou com 23 senadores e 54 deputados federais. Na primeira audiência pública, ele usou os argumentos de que o projeto era inconstitucional, ao ferir o direito ao lazer.

Além disso, Bruno também apresentou a análise do Funk como um termômetro político da realidade das periferias e como o movimento está ligado ao desenvolvimento econômico do país. “Essa movimento cultural dá oportunidades aos jovens de periferia”, afirma. 

Em 2018, o projeto foi arquivado. De acordo com Bruno, Marcelo Alonso não compareceu nas audiências e não apareceram parlamentares favoráveis ao projeto de lei. O  articulador do Movimento Funk conta ainda que a partir da audiência, foram buscados caminhos para pensar em políticas públicas para movimento Funk. 

Ouça o episódio na íntegra

Para saber mais detalhes sobre o movimento Funk e conhecer a trajetória de Bruno, ouça o novo episódio do #DeixeMeVer . O episódio está disponível no Spotify, Castbox, Anchor, Apple Podcast, Google Poscast e vários outros agregadores. Ouça agora logo abaixo!  

Parceria com Instituto Dom Quixote

O Instituto Dom Quixote é uma produtora de impacto social! Eles planejam e executam projetos sociais junto de pessoas e empresas que querem ajudar, mas não sabem como. O Deixe Me Ver é um novo quadro do IDCast, onde entrevistam jovens para expor seus projetos por meio de uma perspectiva social, com apresentação do voluntário e artista, Gabriel Galvão.

Você pode conferir o episódio anterior do #DeixeMeVer sobre a presença feminina no futebol, com Aurélia, representante do coletivo Grupa. Clique aqui e confira a matéria do episódio!

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