Monday, 6 Dec 2021

DEIXE-ME VER: FERNANDA BORGES E O COLETIVO

idq fernanda

Deixe-me ver de hoje, quadro do IDCast do IDQ – Instituto Dom Quixote, trouxe a Fernanda Borges Henrique, divinopolitana, antropóloga, mestre e doutoranda em Antropologia Social pela Unicamp. Sua pesquisa trata de temas acerca da terra, da construção de territórios e das territorialidades dos povos indígenas do Brasil. Ela deu uma verdadeira aula, de forma leve, no podcast! Reservamos aqui os melhores momentos da entrevista para atiçar vocês a escutá-la na íntegra. No final, ainda colocamos todas as indicações de leitura da Fernanda. Agora eu já sei quais são os próximos livros da minha lista!

ETNOLOGIA… O QUE É ISSO?

A Fernanda tem como ênfase dos seus estudos a Etnologia Indígena. Mas o que é isso?

No site da USP (Universidade de São Paulo), existe uma explicação sobre o termo: “Estudo das formas de vida social, das manifestações simbólicas, das relações interétnicas, da história e dos contextos ambientais dos povos ameríndios. As pesquisas no interior da linha voltam-se para diversos domínios, como: parentesco, organização social, política, xamanismo, mitologia, ritual, natureza e cultura.”

Fernanda contou que essa “é uma forma de olhar para as nossas pesquisas que tem a ver com a comparação e com os povos indígenas”. No caso dela, com os Kiriri dos Rio Verdes: “A minha pesquisa versa sobre questões territoriais. Os Kiriri estão em Caldas, município no Sul de Minas, bem próximo de Poços de Caldas.”

Essa população indígena saiu do oeste da Bahia e ocuparam uma terra no Sul de Minas, em 2017! A antropóloga contou um pouco mais sobre essa ocupação recente e a sua pesquisa no podcast.

E A ANTROPOLOGIA… O QUE É?

Fernanda citou Claude Lévi-Strauss, um dos grandes pensadores do século XX e um autor consagrado em diversas áreas das Ciências Humanas e Sociais, como a Antropologia. Para ele, “a Antropologia é a ciência social do observado”.

A antropóloga conta então que profissionais e estudiosos de sua área estão “preocupados com a forma como as pessoas com quem a gente estuda captam, apreendem e experienciam o mundo”. Ela quer entender, portanto, no caso específico de seu trabalho, como os Kiriri captam o mundo. Uma ótima explicação para quem quer entender mais sobre a Antropologia e quem sabe, até mesmo, optar por essa graduação, ainda tão pouco conhecida!

A própria Fernanda começou sua trajetória acadêmica em Psicologia, até conhecer, dentro do próprio curso, a Antropologia, e se apaixonar pela área. Muitos de nós passamos por essa crise na graduação, não é? Como disse a Fernanda, “18 anos é uma idade difícil para a gente escolher o que a gente quer da vida”.

Ela percebeu que não queria observar o mundo a partir de um ponto de vista específico. O que despertava o seu maior interesse não era individual, mas o coletivo.

“Eu sou uma entusiasta do ser humano. Eu sou muito apaixonada pelas nossas capacidades, pelas capacidades humanas, de criar, cultivar relações, experienciar a vida, então eu gosto tanto da Psicologia quanto da Antropologia, mas realmente, pensando assim no que fosse me nutrir mais em quanto pessoa, eu me dei conta que gostaria de olhar mais para o coletivo. Eu gostaria de olhar como as experiências se dão coletivamente.”

Ela acredita que esse olhar tem muita relação com a sua experiência, desde de nova, com partido político, sindicato, protestos, e todo tipo de manifestações coletivas, que, na visão dela, são extremamente necessárias, assim como a luta.

FEMINISMO E POVOS INDÍGENAS

Fernanda estuda, além da questão indígena, o feminismo. Mas tem como interligar esses dois assuntos?

“A nossa sociedade não impõe ao homem cis, hétero, que pense sobre si mesmo. Então ele não precisa fazer uma reflexão sobre quem ele é no mundo, porque que eu tô aqui… ele simplesmente é.”, disse.

Enquanto isso, mulheres, indígenas, que estão à margem e têm esse homem cis hétero no centro, precisam pensar sobre si mesmas. “Porque são os nossos corpos que estão sendo massacrados. São os os nossos corpos que estão sendo controlados. São as nossas relações que estão sendo vigiadas”.

Essa experiência pessoal está inscrita no corpo e é capaz de criar relações de aliança. É por isso que o feminismo e os povos indígenas conversam.

OUÇA A ENTREVISTA

Corre lá no novo episódio do #DeixeMeVer pra saber mais! O IDCast está no Spotify, Apple Podcasts, Castbox, Google Podcasts e todos os outros agregadores! Ouça:

PARCERIA COM O INSTITUTO DOM QUIXOTE

O Instituto Dom Quixote é uma produtora de impacto social! Eles planejam e executam projetos sociais junto de pessoas e empresas que querem ajudar, mas não sabem como. O Deixe-me ver é a nova temporada do IDCast, que entrevista jovens para expor seus projetos por meio de uma perspectiva social, com apresentação do voluntário e artista, Gabriel Galvão.

Já contamos um pouco sobre o IDQ na coluna #Impactar. Clique aqui e veja a matéria completa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *