Monday, 6 Dec 2021

QUANTOS ESTILISTAS E MODELOS(A) COM SÍNDROME DE DOWN VOCÊ CONHECE?

Quantos modelos internacionais famosos que você conhece possuem Síndrome de Down? Conhece algum estilista ou designer com Down? Se você não conseguiu imaginar mais de 3 pessoas para cada uma dessas perguntas, entendemos que temos um problema aqui. 

No dia 21 de março, é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down. Para quem não sabe, down é uma alteração genética, que acontece devido uma divisão celular anormal. Com essa mutação gerada pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 21, o material genético extra está em todas as células do corpo. Pessoas com síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maioria da população.

A origem do nome da síndrome vem do médico britânico John Langdon Haydon Down, que tem um trabalho reconhecido com crianças com deficiência mental.  No nosso país, um a cada 700 mil crianças nascidas ocorre o caso de trissomia, cerca de 275 mil brasileiros possuem a síndrome de down, de acordo com o site Federação Down

Devido a um preconceito direcionado a pessoas com deficiência, pessoas com síndrome de down são invisibilizadas e “deixadas de lado”, no mercado de trabalho, nos relacionamentos afetivos e, inclusive, no meio da moda. Com o intuito de encarar essa realidade e fazer diferente de movimentos hegemônicos, a designer de moda Jakeline Góis decidiu, após participar de uma palestra sobre o tema, se aprofundar no assunto.

Inclusão e moda

A partir desse interesse, a designer começou a estudar a estrutura corporal com pessoas com síndrome de down. Nessas análises, Jakeline percebeu algumas características comuns: são pessoas com baixa estatura e com o encurtamento dos membros fêmur úmero, que fazem ter uma tendência a engordar. A explicação para esse fenômeno está ligada à absorção de calorias do corpo, já que quem tem Down absorvem 90% das calorias, 20% a menos que uma pessoa sem Down.

Foto: Vanessa Araújo

Com esses estudos, a designer propôs para que todas as suas peças tivessem elástico no cós e algumas peças com alças removíveis. A partir dessa ideia, sua proposta era entregar moda para esse público, já que os que eram encontrados no mercado eram peças muito básicas. Para essa coleção, a designer se inspirou em Marilyn Monroe, ícone fashion e aclamada atriz de cinema.  

Infelizmente, as peças desenvolvidas para essa coleção não foram comercializadas. Entretanto, a modelo que posou com as roupas ficou com todas as peças. Confira mais detalhes do projeto no vídeo logo abaixo!

Dos bastidores até as passarelas

Nas Passarelas temos alguns destaques, como a carioca Maria Júlia de Araújo. A jovem de 18 anos foi a primeira modelo com síndrome de down a desfilar no Brasil Eco Fashion Week, evento de moda sustentável e inovadora.  

Além de modelo, Maju tem sido uma grande inspiração para todos, mostrando que ter síndrome de down não a impede de viver seus sonhos. Ela esbanja simpatia nas redes sociais como influenciadora e com uma chuva de looks lindos.

Outra modelo que tem se destacado é a porto-riquenha Sofía Jirau. Com apenas 22 anos, em 2020 ela desfilou no Fashion Week de New York. Além de modelo, Sofía é empresária dona da marca de moda “Alavett”. No Instagram, a modelo tem mais de 113 mil seguidores. Confira a seguir seu perfil na rede social. 

Nos bastidores da moda, Isabella Springmuhl Tejada, de 24 anos, é uma das pouquíssimas estilistas com síndrome de Down. Da Guatemala, no início da sua carreira Isabella foi rejeitada pela universidade que procurou para ingressar no curso de Moda. 

Em 2016, seus projetos foram exibidos no segmento International Fashion Showcase da London Fashion Week. No mesmo ano, ela foi eleita uma das BBC 100 Women. Isabella é estilista na marca Down to Xjabelle – Handmande with love

Apesar desses exemplos de inclusão de modelos como Sofía e Maria Júlia e a estilista Isabelle, elas são exceções no mundo da moda. Dos bastidores até os desfiles, a falta de profissionais no meio com Down não afeta apenas questões ligadas a representatividade, como também nas possibilidades de se promover uma moda mais diversa pensada por perspectivas mais plurais. 

O mercado ainda é escasso. A inclusão é um passo que deve partir de todos nós e a informação é o caminho para que ocorra mudanças.

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