Wednesday, 4 Aug 2021

EXCLUSIVA: CONFIRA DETALHES DE “ANA”, NOVO ÁLBUM DE CLARA CASTRO

O primeiro lançamento desse trabalho será Fome de Gritar que estará disponível no dia 28 de maio.  

A cantora e compositora Clara Castro anuncia a chegada do seu novo álbum. Inspirado em memórias da sua infância encontradas em fitas VHS, o novo trabalho da mineira de Barbacena é o marco de um reencontro com si mesma dentro de um contexto atípico. Para a Revista Galaxy, a cantora deu detalhes exclusivos do novo trabalho. 

A primeira canção que o público poderá ouvir e apreciar é Fome de Gritar, com produção musical de Nathan Itaborahy. O lançamento já tem pre save disponível em todas as plataformas digitais. 

Confira um pequeno spoiler do videoclipe da canção. 

Por trás da criação de Ana: o reencontro de Clara

A história do novo álbum da mineira começa com a volta à casa dos pais no ano passado, no início da pandemia. Havia pouco tempo que ela estava morando em São Paulo e, esse retorno, parecia “interromper um fluxo de pesquisa e amadurecimento profissional”. 

Em meio a crises existências, o enfrentamento da pandemia, o luto e a polarização do país, Clara encontra fitas VHS da sua infância. Nelas haviam registros de casamentos, aniversários e até da própria mãe antes do seu nascimento. 

Com vídeos que registravam desde os seus três meses de vida, essas memórias reacenderam na cantora uma “sensação maravilhosa: a de ser pessoa, esse eterno e inacabado processo”, conta. Nesse momento, as diferenças dos diversos momentos que estavam ali registrados eram apenas do tempo. 

“As semelhanças reacenderam em mim a consciência de uma essência muito própria, que faz parte do meu jeito de estar no mundo até hoje. Nas fitas confirmei a capricorniana que sempre esteve aqui, com suas luas e planetas. Revi (e redescobri) uma desconfiança curiosa, ao mesmo tempo avoada, meio dentro, meio fora de órbita. Eu me senti como ‘astronauta dentro do meu próprio olho’”, detalha.  

O álbum é um convite para o público experimentar e viver o momento de entendimento interior. A compositora conta que busca transmitir para seus fãs o tesão pelo caminho e a delícia que é  encontrar o que já existe na gente, que vem da nossa história. 

“Através desse novo trabalho, aprendi muito de todas as etapas de um processo criativo, desde a concepção de uma ideia até chegar o momento da ‘garrafa lançada ao mar’. E também aprendi a me ver mais com os olhos de hoje, com os olhos do possível”, conclui Clara. 

Da necessidade de “ser” em meio ao caos, nasce Fome de Gritar

A primeira canção do álbum nasce de uma ligação com Ana Clara, xará e amiga de infância de Clara. A conversa perpassou pela live teatral da atriz Georgette Fadel encenando o texto  “Terror e Miséria no Terceiro Milênio” e terminou com a constatação da incapacidade humana diante da pandemia. 

A cantora conta que  terminou a conversa angustiada com a “constatação de não ser nada diante disso tudo, mas, contraditoriamente, querendo ser”. Com esse sentimento, ela escreve Fome de Gritar. A letra e a melodia da canção vieram juntas, nesse “ar meio místico, suave e diminuto, compreensivo e inconformado”. 

Na época, o alento de Clara Castro foi guardar na lembrança uma entrevista do escritor Eduardo Galeano. Nela, o autor de As Veias Abertas da América Latina fala sobre a humanidade ser um ‘mar de foguinhos’, onde há  fogos mansos, que pouco queimam, e fogos loucos, que incendeiam outros que estão por perto. 

Capa o single Fome de Gritar.

Com essa lembrança e a imagem da frase “Sou chama e quero te queimar”, surge na cantora a vontade de incendiar a ‘normalidade’ – inclusive dentro de si mesma. A primeira canção do álbum é a tradução dessa necessidade incontrolável de soltar a voz frente ao absurdo, do desejo de descobrir o extraordinário que reside na banalidade cotidiana. 

Clarinha, a mesma amiga da ligação, também inspirou a cantora em outro momento. A compositora conta que Ana Clara apresentou seu primeiro jogo de tarot, que é uma das imagens externas do clipe de Fome de Gritar. 

Ela ainda revela que esse ritual é “um dos fios condutores da narrativa deste trabalho, que percorre o caminho das cartas que apareceram no jogo”. 

Confira mais detalhes da nossa conversa com a cantora, que deu até um pequeno spoiler do que esperar do álbum “Ana”! 

1. Qual é a inspiração/ideia por trás da escolha do nome Ana?

“Ana” é o meu primeiro nome. E é como sou chamada por todas as pessoas que me conhecem mais profundamente. Quando lancei meu primeiro trabalho profissional, o Ana ficou de fora do meu nome artístico e acabou virando uma coisa meio íntima. 

Só que depois eu fui me dar conta de era exatamente essa intimidade, essa crueza de estar em processo que eu queria deixar cravada no meu caminho nesse momento. 

Tudo isso que vinha desse mergulho nas memórias, no meu mapa astral, no meu primeiro jogo de tarot, além de todas as reflexões trazidas pelo momento louco do mundo, me mostrava uma urgência em ser imperfeita, assumir a incompletude.

Depois ainda descobri, através do meu amigo Anas (que por acaso também carrega esse nome, só que no plural), que Ana, em árabe, significa “eu”. E é a isso que se propõe esse novo EP. A ser Ana. A me ser, estando em experiência. Com minhas imperfeições e teimosias e dúvidas. Eu. Em busca mesmo do que sou. Esboçando alguma tradução do meu mundo possível. Eu. Ana. A memória, o caminho. E a música. Pronta, agora, para estar em relação, exatamente por se aceitar como processo. 

2. No teaser da canção podemos ouvir uma narração falando sobre o nascimento de Clara. De quem é aquela voz? Como foi essa participação e o que ela representa para você?

A voz é de Vera Leitão. O recorte do teaser é um trecho do meu mapa astral, narrado por ela.  Durante o processo criativo do EP, também reencontrei esse mapa, que ganhei no meu aniversário de 15 anos, de um amigo do meu pai. Vera, sua mãe, é a astróloga, e aparece no teaser e em outras partes do EP. Esse mapa ficou guardado desde 2009 e ao longo do tempo, fui descobrindo a presença de Vera em outros momentos da minha vida. Por exemplo, em Caostrofobia (meu primeiro álbum), a casa onde ensaiamos o show era a antiga casa dela, que tinha sido alugada, por acaso, por uma amiga minha.

Quando reencontrei o mapa, consegui de novo me rever de outros pontos de vista. Me identifiquei com cada palavra que ela dizia, mergulhei de cabeça no que também a astrologia pudesse me contar de mim. Vera é pra mim uma voz muito familiar, ainda que nunca tenhamos nos conhecido pessoalmente. Ela tem uma mineirice que me deixa em casa e sua intimidade com esses movimentos astrais da minha vida deixa esse mistério dos encontros transformadores (como o nosso) ainda mais gostoso. 

3. Como surgiu a ideia de criar o álbum? 

Eu tinha músicas novas que representavam pra mim um novo momento, tanto na forma de cantar, quanto na forma de criar. Eu vinha ressignificando minha relação com o violão, com o artesanato da canção e já sabia de uma necessidade de me colocar em experiência, pra entender mesmo o que eu queria e podia dizer. 

Já vinha tendo conversas com o Fernando Fernandes (que realizou toda a concepção junto comigo, além de assinar a cenografia e as capas). Como amigo, ele me provocava pra ir mais ao fundo nos meus motivos de conceber um novo trabalho. Além disso, emprestou seus ouvidos por muito tempo, me ajudando na escolha do repertório e na criação daquele universo de sentidos. Tudo isso junto com o Nathan Itaborahy, que também já vinha acompanhando todo esse processo poético-musical, sendo além de parceiro no trabalho, meu companheiro de vida.

Pouco depois, com a ideia de realizar um trabalho que fosse também audiovisual, chegou Ananda, outro reencontro do tempo da infância, ela é irmã de outra Ana Clara, minha grande amiga, e fez a direção de toda a parte do vídeo. Ananda também estava interessada nas multilinguagens e no processo de aprofundamento de algo que viesse dessa “essência”. Fomos, juntas, concebendo quais seriam as projeções e o que estaria em diálogo com as músicas, junto com Zig e Esther e depois Digo e Ciro, que também mergulharam de cabeça.

Tudo isso me tirou do foco de pensar uma sonoridade a partir de uma estética e me fez ir ao fundo na minha relação com a música e com as composições, que em si já eram um pouco da minha leitura de mundo, de como as coisas vinham me atravessando nos últimos tempos e as memórias, sempre em diálogo com essas pessoas dispostas a também apostar no que poderia emergir dessa investigação, cada qual através da sua linguagem artística.

4. Como foi o processo de produção do videoclipe? Quais foram as inspirações e referências? O que o vídeo pretende apresentar para o público?

As fitas vhs me traziam pessoas e palavras que me transportavam pras minhas músicas recentes. Senti que através da música de hoje, eu poderia me comunicar com aqueles outros tempos. Comigo mesma e com quem mais estivesse lá. Daí a ideia de juntar esses dois universos através dos vídeos simultaneamente à música ao vivo. 

Ter aquelas imagens, personagens de mim, compartilhando comigo o palco era um jeito de brincar e dialogar quase que concretamente com as minhas memórias. Eu já me interessava muito pelas intersecções entre linguagens artísticas, um EP visual concretizaria esse desejo de, pela primeira vez, fazer um trabalho “multi”, que pudesse abrigar outras possibilidades de sensações, já que a mim, aquelas fitas me invadiam por todas as partes, não só pelos ouvidos.

A decisão de gravar ao vivo veio de encontro à minha vontade de viver uma experiência que tivesse um fim em si mesma e que traduzisse um movimento interior de compreensão que me colocasse de frente pros caminhos, pras possibilidades de ser e também do encontro com essas pessoas disponíveis para uma experiência que partisse das interseções. 

Nesse sentido, também instigada pelas pesquisas no teatro, buscava uma compreensão da arte enquanto forma concreta de estar no mundo e tinha o desejo de inverter a importância do processo sobre o resultado final na elaboração de um novo disco. 

Nessa busca, me conectei com o meu primeiro jogo de tarot, meu mapa astral e os arquivos de memória da minha infância. Inevitavelmente, cheguei a “Ana”. O jogo de tarot, é a costura. O caminho feito pelas músicas é o mesmo feito pelas cartas. Fome de Gritar, a primeira música, é o fim que antecede o recomeço. “Sei, já não devo mais saber de nada. Meu coração cansado em tanto descompasso, me morde, me mata, me suga e me cala”. 

Mas tudo precisa ter um fim pra que outros começos tenham a possibilidade de surgir. O final dos ciclos dá espaço pro recomeço. E na caminhada, são os processos e aprofundamentos que podem nos transformar.

O clipe foi gravado em duas etapas: primeiro as imagens que seriam projetadas, que foram concebidas junto com Ananda e executadas pelo Zig, com produção da Esther em dois dias na Fazenda Santa Elenice, em Monte Verde (MG) depois as imagens das canções executadas ao vivo, em 4 dias de imersão no estúdio. Depois disso, a edição foi realizada a partir de toda a história entrelaçada pelos nossos objetos de investigação (tarot, arquivos de memória, amuletos, etc).

5. Poderia dar um spoiler do que os fãs podem esperar desse novo trabalho?

Podem esperar imagens de arquivo deliciosas da bebê fofíssima que fui (rs), tarot, astrologia (revelações astrais inclusas), maravilhosas imagens de lugares que amo (cachoeiras inclusas), participações mais do que especiais, amuletos misteriosos, entrelinhas e mais entrelinhas, voz e violão.

Já está ansiosa(o) para esse lançamento? Faça já o pre save da canção e acompanhe Clara Castro nas redes sociais.

Foto: Divulgação/Igor de Paula

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