Monday, 6 Dec 2021

RACHEL REIS: PAIXÃO E SENSIBILIDADE DANÇANTES

Foto: Lucas Raion/Divulgação


ESTRELA DE OUTUBRO DA LUZEIRO CONTA SOBRE TRAJETÓRIA MUSICAL, SUA IDENTIDADE SONORA E SEU ÁLBUM DE ESTREIA, PREVISTO PARA 2022



Lembre-se: você ainda vai ouvir falar muito de Rachel Reis. A cantora, natural de Feira de Santana, foi um dos meus maiores achados musicais do ano, daqueles que a gente quer que todo mundo conheça. Seu som é contagiante e solar; lembra o Carnaval, a Bahia, o Brasil – é música para quem quer ser feliz.

A estética e sonoridade da artista são inspiradas em nomes como Jorge Ben, Céu e na turma da Tropicália. Rachel despontou recentemente, tendo lançado sua primeira canção em 2020 e o EP Encosta esse ano. Por causa da pandemia, ainda não viveu a experiência de cantar seu trabalho autoral nos palcos, mas o futuro promete: seu primeiro álbum está à caminho e, se tudo der certo, em breve veremos Rachel Reis nos inúmeros festivais nacionais (e internacionais!).


DO BARZINHO PARA O ESTÚDIO: O INÍCIO DE RACHEL REIS


Nascida em uma família de artistas em Feira de Santana, Rachel Reis se apaixonou naturalmente pela música. Entretanto, pensava que aquele mundo não era para ela, pois tinha vergonha demais para se imaginar sob os holofotes. “Eu lembro que eu tinha… 2009, eu acho que eu tinha uns 12 anos, não sei. Eu vi um clipe de ‘Rehab’, de Amy Winehouse, passando na televisão e eu vi aquela cantora, aquela mulher linda, com aqueles brincos enormes, eu falei ‘meu Deus, eu queria ser isso! Eu queria ser assim!’. E eu sempre tive essa vontade, mas era uma vontade que ficava muito escondida. Acho que eu não tinha autoestima o suficiente para me colocar nessa posição de destaque”

Ainda bem que Rachel recebeu incentivo para deixar as inseguranças de lado e seguir o seu sonho. Nisso de gostar de cantar e ter pessoas que confiavam em mim, que diziam ‘menina, a tua voz é bonita, vai cantar!’, um dia eu acreditei. A cantora deu o pontapé inicial na carreira em 2016, quando um primo a chamou para abrir seu show. Foi aí que venceu a timidez e fez a transição dos shows imaginários em seu quarto para as apresentações em bares e eventos. E assim foi até 2018, numa bateria intensa de trabalhos. “Se me chamassem para um aniversário dos cachorros, eu estava lá cantando, sabe? [Aniversário] de boneca, eu estava lá. Era assim, não perdia nada”, conta. 

Mas os ventos foram mudando de direção. Passados os dois anos iniciais de trabalho, a cantora se viu em um relacionamento desgastado com a música. O que antes era pura paixão acabou se transformando em uma crise de desmotivação – aquele famoso “o que eu tô fazendo da minha vida?”. Nesse intervalo, decidiu cursar Direito, algo totalmente diferente da seara artística. Mas ela se deu conta do motivo da sua crise: “Cismei que eu não queria mais cantar. Só que eu fui entender que, na verdade, o que eu queria era cantar coisas minhas, eu precisava compor e produzir as coisas. Esse foi o início de uma nova fase em sua carreira musical.

Foto: Matheus Pirajá/Divulgação

Rachel Reis estava decidida: parou com o trabalho nos barzinhos no início de 2019 e começou a se planejar para gravar suas próprias músicas – o que ela não tinha ideia de como fazer. Até que, nesse processo, uma coincidência (ou o destino?) aconteceu, com uma forcinha da tecnologia: Barro, produtor musical, começou a segui-la no Instagram. A cantora não perdeu tempo e logo o chamou no direct sugerindo que gravassem juntos. O “sim” foi imediato. “E aí a gente começou a conversar, ele perguntou se eu tinha alguma coisa minha. Eu mostrei um trecho de ‘Ventilador’ e ele adorou, disse que estava montando um estúdio em Recife e aí eu já animei logo pra gravar”. 

Essa parceria rendeu suas duas primeiras canções de estúdio: Sossego e Ventilador, gravadas em 2019 e lançadas em 2020. Esse ano, a cantora baiana deu mais um passo em sua carreira lançando o EP Encosta. Nada mal para quem achava que não levava jeito pra coisa, não é?



ENCOSTA”: CANTANDO A SI MESMA


A pandemia do coronavírus nos obrigou a reinventar a forma de trabalhar. Não foi diferente para Rachel Reis na realização do seu EP de estreia, Encosta, lançado em 30 de abril de 2021: tudo foi feito à distância. A ideia do projeto surgiu de maneira muito orgânica por meio da parceria entre a cantora e os produtores musicais Bruno Zambelli e Cuper, que assinam o trabalho. “Bruno teve uma ideia do beat de Saudade e estava planejando esse beat com o Cuper. Aí ele me mostrou, perguntou se eu não queria botar a letra na música. Aí eu fiz! E nisso foi rendendo: quando olhava, ‘bora mais uma’, ‘bora mais três’, ‘vamos fazer um EP’, ‘bora um álbum’… se deixasse, a gente não parava. Mas aí a gente falou assim: ‘não, vamos lançar só um EP e depois a gente vê essa coisa de álbum mais para frente”.

Assim como em Sossego e Ventilador, seus primeiros lançamentos, Encosta traz composições próprias de Rachel Reis. Suas letras têm uma simplicidade complexa: uma forma poética de falar de coisas corriqueiras. Quem pensaria que a Solidão usa robe de seda e Chanel N° 5? É assim que Rachel a descreve na canção Chanel. “Eu gosto de trazer uma naturalidade para as músicas, sabe? Gosto de trazer uma simplicidade para a letra. Eu tento revisar muito para não cair nessa de sair clichê. Às vezes eu acho que meu maior medo é isso, sair muito clichê. Ventilador foi a primeira vez que eu gostei realmente de uma coisa que eu fiz. ‘E o batuque da cama não pára’. Eu fiquei: ‘Poxa, ficou bonitinho isso daqui!”.

A sonoridade de suas canções também é marcante – sempre feliz, tropical, dançante. E essa escolha tem um motivo. “Geralmente, o pessoal pergunta: ‘você não vai lançar nada triste, não?’. E eu acho que o que me segura mais para fazer isso é que eu passei dois anos em barzinhos, tocando Adriana Calcanhoto, sabe? Sofrendo horrores. Caetano Veloso, as mais tristes. Tinha barzinho aqui na minha cidade que não estava me chamando mais para tocar, porque disse que o meu repertório era triste demais! Mas eu não mudava, seguia firme. E eu passei dois anos nessa, então quando eu comecei a fazer as minhas coisas, eu já quis trazer para um lado mais alegre. Inclusive, Barro me perguntou: ‘tu não sofre, não?”

Por causa da pandemia, Rachel Reis ainda não teve a experiência de performar suas próprias músicas em shows. Mas as expectativas estão altas. “A única apresentação que eu fiz, antes de lançar, foi uma participação no Feira Noise, um festival aqui da minha cidade. Barro cantou lá e eu fiz essa participação com ele. Toda nervosa, toda me tremendo, mas essa foi a única apresentação que eu fiz pra um público, pra uma galera que já estava meio por dentro do que eu fazia, sabe? Mas, de resto, eu nunca fiz nada. Tô aqui só pensando: como que vai ser? Quando eu tiver que cantar de verdade, pegar os festivais… é uma mistura de ansiedade, de medo e vontade de fazer”.


RACHEL REIS E OS APRENDIZADOS ATÉ AQUI


Em pouco tempo de carreira, Rachel Reis deu passos importantes – inclusive internamente. Para quem tinha barreiras pessoais com a possibilidade de estar em destaque, muitas zonas de conforto foram ultrapassadas e os horizontes se abriram. Essa evolução mudou, inclusive, a sua percepção sobre o que é ser uma artista.

O pessoal tem um conceito de que se você não tá ali passando no Faustão, você não é artista. Sendo que você pode muito bem construir, ter uma galera que curte seu trabalho, viver disso, fazer seus shows e não necessariamente estar ali passando no Faustão, sabe? Você não precisa atingir o pop, não precisa alcançar o ideal que a televisão tá te mostrando como é que é, de ter não sei quantos milhões de seguidores. [Ser artista] é muito de você entender o que você está fazendo, achar as pessoas certas para trabalhar com você, confiar no que você está fazendo e confiar no seu trabalho.

Rachel Reis

E esse corre em um cenário independente não é livre de desafios – pelo contrário. Nas palavras da cantora, “é uma mistura de amor e ódio”. Mas Rachel Reis tem sido feliz nesse sentido: “A gente fala que é independente, mas na verdade a gente nunca é totalmente independente, porque sempre tem uma galera que tá ali, tem a mídia de vocês que tá aí dando esse suporte pra gente que não tem como investir em divulgação, a gente conta com pessoas que acreditam na gente, que gostam do nosso trabalho, que tão ali dispostas a divulgar, compartilhar e tudo mais. Eu acho que eu tive muita sorte até agora, porque eu sempre encontrei pessoas dispostas a somar comigo, sabe? Que gostam da minha música, que gostam de mim, e aí a gente se entende.”

Foto: Lucas Raion/Divulgação

Lembra da faculdade de Direito? Rachel mudou de curso e agora divide seu tempo entre a música e o curso de Publicidade, que, inclusive, tem sido bastante enriquecedor na sua jornada musical. “Eu fui agora pro quinto semestre. Eu sei que eu não vou seguir à risca a carreira de publicidade. Pelo menos não pretendo. Mas me ajuda muito, a gente acaba entendendo um pouco mais de mercado, produção, até a parte visual que eu tô pegando agora. Então acaba somando, não é, por exemplo, um Direito, que não tinha nada a ver com o que eu queria fazer”.


O QUEM VEM PELA FRENTE


Após o lançamento do EP Encosta e do recente single Maresia, Rachel Reis tem se concentrado na produção de seu primeiro álbum, que deve ser lançado em 2022, sob a produção de Barro e Guilherme Assis. A rotina atual da artista tem se dividido em: faculdade, estágio e as canções de seu novo trabalho nas horas vagas. “Um álbum é uma coisa bem maior. Tudo isso é dinheiro e a gente independente, né… Mas eu acho que a coisa tá fluindo bem. Eu tô bem confiante do que a gente tá fazendo, tô bem feliz, porque eu tô bem livre para fazer as minhas coisas. Na verdade, tudo que eu fiz até hoje, até nas produções, eu gosto de dar muito pitaco. Eu sempre fui muito assim com as minhas coisas, porque senão depois eu não vou gostar e aí sou eu que me lasco”. 

Ainda há muito o que ser decidido, mas a cantora de Feira de Santana quer se certificar de que o álbum transmita quem ela é. A julgar pelo que já vimos – e ouvimos – até agora, Rachel Reis cumpriu essa missão. Sua música é exatamente como ela: serena, contagiante e verdadeira.

SIGA RACHEL REIS NAS REDES SOCIAIS!

Instagram

Twitter

YouTube

Spotify

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *